COMO VIRALIZAR UM VÍDEO

Como fazer para o seu vídeo viralizar, ser compartilhado e alcançar milhões e milhões de pessoas? Essa pergunta está mal formulada, pois não é o seu vídeo que viraliza. Como assim não é o seu vídeo que viraliza?


O que viraliza é o pensamento, o sentimento que o seu vídeo desperta.


Um exemplo: Uma vez, eu compartilhei nas minhas redes sociais um vídeo que dava muita raiva, de um padre que, na hora de batizar um bebê que estava chorando, bateu na cara da criança. Eu, que tenho filho, fiquei com muita raiva daquele padre, todo mundo que viu aquele vídeo sentiu raiva. Aquele vídeo não fui eu que fiz, não fui eu que produzi, com certeza foi outra pessoa, talvez os pais ou os tios da criança. Só sei que ele chegou até minha página e eu compartilhei, pedi comentários e um monte de gente comentou, recompartilhou, fazendo com que ele ganhasse ainda mais visualizações, embora já estivesse bombado, estourado. Não sei como ele está hoje.


O que estou querendo dizer com isso é que não foi o vídeo de um padre dando tapa na cara de uma criança que viralizou, o que viralizou foi a raiva em torno daquela filmagem, isso que foi compartilhado, o sentimento das pessoas em torno daquele conteúdo. A raiva é um gatilho mental poderosíssimo, mas não recomendo que você faça estripulia ou coisa errada só para ganhar visualização. Você é adulto, pense. Não vá bater em ninguém, não vá fazer mal para ninguém, você pode fazer um vídeo com raiva, batendo na mesa, falando dos políticos corruptos, por exemplo. Você deve conhecer youtubers que fazem isso, como o Cauê Moura e o Felipe Neto, esses caras começaram à base da raiva.


O Cauê Moura tinha um porrete que ele batia na mesa, gritava, mostrava a raiva na frente da câmera e dava pancada na câmera. Veja onde ele está hoje. Hoje ele é o Cauê Moura, que cresceu a partir do gatilho da raiva, da revolução, do anarquismo. Mas está tendo que se reinventar, esse gatilho é muito poderoso, mas tem um efeito de pouca duração. Você não consegue ver 100%, toda hora, uma pessoa com raiva falando, sempre a mesma coisa. Imagine um canal só de raiva, uma hora você enjoa. Por conta disso, o Cauê Moura se reinventa sempre.


O Felipe Neto é um exemplo do rebelde jovem, de família classe média alta, que falava um monte de coisa com raiva e hoje tem um público de adolescentes e crianças. Ele mudou 100% a sua faceta de conteúdo para se manter vivo no mercado, porque não dá para usar a raiva como gatilho mental o tempo todo. Pense bem se a raiva é o gatilho que você quer usar para viralizar. Por mais que seja um gatilho emocional forte, na hora de compartilhar e de engajar, explodir, reter o público e trazer consistência, é um dos menores. Então, pense bem.


Existe um monte de gatilho mental pra você conhecer, caso o seu conteúdo seja viral, Não existe receita mágica nem fórmula milagrosa para viralizar um vídeo, porque isso não é uma ciência exata.

Sabendo disso, muita gente tenta entender esse fenômeno. Eu peguei três grandes pessoas, 3 grandes teorias sobre a viralização para você aplicar no seu vídeo e conseguir bons resultados.


A primeira delas é do Buzz Feed, que é um site interessantíssimo, internacional, que vira e mexe tem conteúdo viral, toda hora tem gente compartilhando e viralizando os vídeos deles. Segundo eles, existe a Cartografia Cultural da Viralização. Essa cartografia está escrita em inglês, mas eu traduzi e adaptei para a nossa realidade aqui do Brasil. Vamos dar uma olhada no mapa abaixo.

Imagine que cada bolha seja um conteúdo específico e cada cor represente o universo que aquele conteúdo está.




O primeiro universo, que é o vermelho, é o do humor. São os conteúdos que te fazem rir. Existem muitas maneiras de você fazer alguém sorrir. Você pode rir com alguém, rir de alguém, rir de coisas bobas da internet, de piadas legais, rir de um papagaio que canta, enfim... Quase tudo o que te faz sorrir tem um teor viral.


O segundo universo é o da identidade, mais conhecido como “esse sou eu” ou “tem a ver comigo”. É quando você se identifica com o conteúdo. Você já deve ter visto um meme na internet de uma pessoa com a cara abatida, falando assim: esse sou eu trabalhando, na segunda-feira. Depois de ver, você fala: “cara, esse sou eu”. Com isso, você compartilha.


O terceiro universo é rosinha, ele está relacionado aos tabus e ao sexo. Não estou falando de pornografia, apesar dos vídeos pornográficos serem os mais relevantes que temos hoje na internet. Estou falando de tabus, de coisas relacionadas ao sexo. Por exemplo, imagine um vídeo em que você fale de 5 posições sexuais que dão para fazer com a sua esposa. Isso atiça a atenção das pessoas. Existem canais no YouTube que falam sobre sexo, sobre tabus, que são assuntos extremamente virais, porque a pessoa se reconhece ali e compartilha. Outro exemplo: 5 coisas que você pode fazer para conquistar um menino. Olha que legal. Tem a ver com a sexualidade, tem a ver com a arte da conquista, isso é viral, as pessoas compartilham.

Eu lembro que, quando fui, pela primeira vez, beijar uma menina na boca, pesquisei no YouTube. Nessa pesquisa, achei um casal beijando de língua, língua para cima, língua para baixo. Eu, que nunca tinha beijado, pensei: esse é o beijão que eu quero dar. Como eu sempre fui um cara muito de vídeo, compartilhei ele com a menina que eu queria ficar e disse assim pra ela: “é um desse que eu quero”. A menina ficou toda sem graça, ela já sabia que eu queria ficar com ela e ela também queria isso.

Olhe aonde a minha geração chegou! Isso tem a ver com sexualidade, com tabus. Esses vídeos geralmente são muito compartilhados


Agora voltemos para o mapa, para o quarto universo, que é o de conexão com os outros. Essa parte se refere aos vídeos que ajudam você a se conectar com outra pessoa. Vou tentar dar um exemplo: os vídeos do Whindersson e do Júlio Coccielo, na hora em que eles interpretam a mãe deles, por exemplo, você vê a sua mãe ali e fala: “cara, isso é muito a minha mãe”. O vídeo cria uma conexão entre você e sua mãe. A partir daí, você compartilha com sua mãe, com o seu irmão, com seu pai, com seu padrasto, com sua família. Vídeos que criam conexão geralmente são compartilhados. Geralmente, a gente pensa: “isso é a gente, é a minha cara, a cara da minha família, isso é BR, isso é Brasil.

Vídeos de receita também são muito compartilhados, porque você quer mandar uma receita legal para uma pessoa que você gosta, para fazer para você ou para fazerem juntos, seja no Natal ou no dia a dia.


Voltando para a cartografia cultural, temos o quinto universo, que é o universo da surpresa, da imprevisibilidade, do não senso, do “isso não faz sentido”, do humor no sense, aquele que não faz sentido. Temos os vídeos clássicos, que são aqueles de pessoas que dançam mal, que têm uma música horrível e todo mundo está compartilhando, porque acha engraçado. Costumam chamar de “vergonha alheia”


Depois tem o Blow in mind, que é “explodindo seu cérebro”, quando você tem um vídeo que, de repente, dá uma reviravolta que você nunca imaginava e fala: “nossa, cara, vou compartilhar isso”.

Tem também o universo do “uau”, que é quando você consegue arrancar um “uau” de alguém. Geralmente, são aqueles vídeos em que o cara está de bicicleta, com uma Go-Pro, passando por uma trilha super estreita, fazendo um esporte super-radical, e você fala: “uau, cara, nossa, isso é muito bom”. Outro exemplo é quando você faz um discurso inflamado sobre liberdade, sobre a sociedade e o cara fala: “nossa, cara, isso é verdade, o que esse cara está falando é verdade”. Quando você consegue um “uau” da pessoa, isso pode ser altamente compartilhável, pode ser altamente viral.


Seguindo, temos o universo do “me ajuda”, em que você pensa: “poxa, esse vídeo me ajuda a aprender mais, me ajuda a fazer alguma coisa, esse vídeo me ajuda a ser alguém melhor”. Esse universo geralmente ajuda as pessoas a resolverem algum problema, a aprenderem algo sobre alguém, sobre alguma empresa ou sobre as coisas do mundo, ajuda a explicar uma história, qualquer coisa que a pessoa no final pense: “nossa, isso me ajuda tanto, me ajudou bastante”. É comumente compartilhado com pessoas que têm a mesma dificuldade que você. Esse tipo de conteúdo também tem um alto teor viral, porque ajuda alguém a se dar bem na vida, a ir bem na escola, a construir alguma coisa.


Tem também vídeos de “faça você mesmo”. Como fazer você mesmo para ter uma softbox. Você pega uma caixa de sapato, recorta, coloca um papel alumínio no fundo para a luz vir mais forte, faz tudo aquilo e fala “nossa, me ajuda para caramba”. Geralmente, você tende a compartilhar esse vídeo para um grupo de pessoas que têm as mesmas dificuldades que você. Vídeos que te ajudam, vídeos que ajudam as pessoas de alguma forma geralmente são bem compartilhados.


Depois a gente tem o universo do “me faz sentir”. São vídeos sobre empatia com as pessoas, vídeos que trazem empatia, que fazem você se sentir bem, se sentir curioso, se sentir até triste, sentir ódio, raiva etc. São os gatilhos mentais que fazem você sentir amor, que fazem você se sentir emocionado com um depoimento ou com um discurso, que fazem você sentir algum tipo de emoção. Vídeos que trazem emoções também têm o teor de compartilhamento.


Por último, em amarelo, temos o universo da necessidade, que é o que me faz necessitar. Imagine que você precisa muito de um livro, de uma edição especial de um livro que você gosta muito. Acontece que não encontra, mas aí alguém faz um vídeo sobre essa edição especial e você fala: “cara, eu preciso muito disso aí”. A partir daí, você compartilha com a comunidade que também gosta desse livro especial. Imagine que você tem um amigo que gosta de uma cervejinha e você vê um abridor de garrafa todo diferentão, que tem várias funções. Aí você fala: “cara, você precisa de um desse, eu também preciso”. É quando você lembra de uma pessoa a partir da necessidade dela e termina indicando, com naturalidade, um vídeo que resolve esse problema. Essa foi a primeira teoria da galera do Buzz Feed, sobre como um vídeo pode viralizar através da Cartografia Cultural de Viralização.


Vamos falar da segunda teoria. Quem trouxe ela para a gente foi o Kevin Allocca. Esse cara não é nada mais do que o gerente de cultura e tendências do YouTube. Ele fala que você pode ter um vídeo viral a partir de três pilares.



Você pode alcançar os três ao mesmo tempo ou pode alcançar um pilar só.

O primeiro pilar é o conteúdo original e imprevisível. Ou seja, uma coisa que você não imaginava termina se tornando viral. Ele pegou alguns exemplos reais de viralização, como o Nyan Cat, que é aquele gatinho que viralizou, mas esse é antigo.

Se trouxermos para os dias de hoje, vemos que o fenômeno continua. Quem diria que um vídeo de duas meninas, em que uma delas conclui com a frase “Acabou, Jéssica” viraria meme? Quem diria que o vídeo de uma menina chamada Aretuza, vomitando, iria viralizar?

Tem muito vídeo nada a ver na internet que tem milhões de visualizações e compartilhamentos, porque a galera acha engraçado ou porque tem a ver com ela. Isso se encaixa na cartografia cultural. A imprevisibilidade e a originalidade tornam o vídeo viral, não interessa a qualidade, às vezes ele é feito de um celular e todo mundo compartilha. Outro exemplo: o menininho do Don't Let Me Down, que mostra o pai tocando violão e a criancinha cantando. Quem diria que esses pequenos vídeos seriam virais? A gente não diz, a imprevisibilidade é que manda. Esse é um dos primeiros pilares para ele.