PRODUZINDO VÍDEOS AUTÊNTICOS

Não é novidade que a internet está abarrotada de conteúdo. Já tem muita gente produzindo conteúdo e é até difícil separar as nossas fontes, para saber o que é confiável, o que não é, já que todas elas falam tudo sempre do mesmo jeito.


Na internet, onde já temos todos os tipos, raças, cores e gêneros de conteúdo, é muito difícil de começar um projeto de conteúdo do zero, sem que tenhamos uma identidade, um diferencial.


Existem dois elementos básicos que precisamos ter para se destacar entre tantos outros.


O primeiro deles é o nicho, que é o grupo de pessoas para quem você vai falar, a faixa etária, onde elas moram, o jeito delas, os produtos que elas consomem, etc.

Focar bem no seu nicho e público, pode acelerar em muito o seu processo de crescimento como produtor de conteúdo digital. Foque bem no seu nicho, isso já é um diferencial.


O segundo elemento é a sua autenticidade e originalidade. Este segundo é extremamente crucial principalmente no momento em que vivemos onde todo mundo copia todo mundo descaradamente.

Para ser original, criativo e autêntico, você vai ter que entrar numa jornada introspectiva, para descobrir quem você é, explorar os pontos mais fortes que você tem, e eliminar os pontos que prejudicam a sua autenticidade na hora de mostrar se mostrar para a câmera.


Se conhecer

Eu considero esse o primeiro passo a dar: para você ser quem você realmente é! Esse pode ser o passo mais libertador e mais longo para se chegar à autenticidade. Se não conseguir fazer este passo sozinho, procure um psicólogo, ou um profissional que consiga botar sua originalidade pra fora.

Às vezes, você tem um conteúdo que não é autêntico, que é mais do mesmo, é mais um na selva virtual. Outras vezes você é muito fera no que diz, mas, se não tiver um diferencial, não vai ser visto por muita gente. Você precisa de autenticidade para o seu conteúdo fazer sucesso.


Transforme o seu medo em algo bom

Não sabemos exatamente quais são exatamente os medos que a gente tem. Às vezes, temos medo de algumas coisas e isso faz a gente não ser o que a gente é, porque temos medo do que os outros vão pensar, do que as pessoas que a gente gosta vão fazer quando conhecerem quem nós realmente somos, medo de não agradar todo mundo. Precisamos transformar esse medo em coragem para seguir em frente e expressar nossa autenticidade.

O medo não pode ser maior do que a sua vontade de ser quem você é verdadeiramente, de fazer o que você gosta.


Se expresse

É impossível você ser autêntico e agradar todo mundo. No processo de busca pela autenticidade é extremamente importante que você se expresse e coloque a sua verdadeira essência em evidência. Quando você se expressa, você acaba atraindo pessoas que gostam da sua expressão, que te acham engraçado, que curtem o jeito que você fala, que aprendem melhor com a linguagem que você usa para ensinar, que curtem o seu tipo de conteúdo, a sua linha de pensamento, e essa ligação sua com sua audiência só é estabelecida quando você se expressa verdadeiramente. Se você nunca se expressar, nunca vai alcançar essas outras pessoas que também pensam como você ou gostam de ouvir o que você está falando.

Se expressar não só na frente da câmera, mas se expressar também na vida, se expressar com a sua esposa, com seus filhos, com sua mãe, com seus parentes, seus amigos, com seus colegas de escola, de trabalho, de faculdade, na sua igreja, no seu trabalho, na política. Se expresse!

Você precisa se expressar para mais pessoas e, obviamente, recolher informações de quem curtiu e de quem não curtiu sua expressão. Ao recolher esse feedback você pode construir uma expressão própria cada vez mais assertiva e autêntica para você e isso pode acabar refletindo como ótimos resultados nas suas produções de vídeos.


Tenha coragem

Coragem é um item muito necessário nessa jornada em busca da sua autenticidade. Cuidado para não confundir coragem com o ato de ser desrespeitoso, preconceituoso e ofensivo com outras pessoas, até porque a sua audiência também é autêntica, e com a internet elas podem se expressar o mesmo tanto que você.

Claro que vão existir momentos da sua jornada em que as pessoas não vão concordar com o seu posicionamento, com o seu jeito, com sua maneira de ser, mas isso não significa que você as tratou mal ou com desrespeito, significa que elas não concordam com você de algum modo, do mesmo jeito que você pode não concordar com algumas pessoas.

Você precisa ter coragem para saltar essa barreira da aceitação virtual, para se curar da síndrome do impostor e colocar a sua originalidade para fora.


Aceite e seja feliz com quem você é

No meio dessas pessoas que buscam encontrar as suas autenticidades particulares, você vai encontrar algumas que, provavelmente, se tornarão referência de originalidade pra você. Até aqui, tudo normal! É natural admirar e observar os passos de pessoas que você curte.

O problema é que se você não for feliz com quem você é, com o que você conquistou, com o que você já tem, vai começar a dar ouvido ao que as outras pessoas estão pensando sobre você, aí começa a complicar.

Sabe quando você escuta uma música que soa meio estranho, uma batida diferente, umas harmonias e melodias muito diferente do habitual? Então...

Muita gente pode ter a mesma percepção que você em relação a música. Talvez por não estar acostumada com o estilo musical da música, ou talvez a música tenha mesmo uma proposta mais disruptiva e original. E por incrível que pareça, vão existir pessoas que vão gostar daquela música.

Eu, pessoalmente, costumo admirar as pessoas autênticas, porque elas vão na contramão do que está sendo feito. Geralmente essas pessoas não trocam sua autenticidade pela fama, e isso é incrível. Acredito que para se tornar alguém assim é necessário se aceitar e ser feliz com quem você é, ser honesto consigo mesmo pode bloquear os seus ouvidos para o que as pessoas estão achando em relação a você.


Cuidado com os grupinhos sociais

Às vezes, a gente tem uma vontade imensa de participar de um grupo seleto de YouTubers/Influencers, celebridades, ou até mesmo de um grupo seleto de professores, ou de palestrantes, porque eles são a nossa referência, tudo o que eles mostram é maravilhoso, mas, na verdade, ninguém vê a vida que eles têm por trás dos bastidores, ninguém sabe como é a conta bancária dessas pessoas, ninguém sabe, de fato, como são os relacionamentos daquelas pessoas.

Enfim, existem coisas naturais da vida de todo mundo que não são mostradas nas redes sociais. E, por isso, queremos fazer parte desses grupos seletos, porque achamos que eles são perfeitos.

Cuidado, porque este sentimento pode começar a matar a sua autenticidade, você pode querer copiar a risca o que eles estão fazendo, copiar os trejeitos, copiar o que eles usam, o que eles produzem. A verdade é que se você for bom, se você for autêntico no que faz, se conseguir se destacar pelo que você é, muito provavelmente vai receber um convite deles ou de algum outro grupo interessante para se aproximar e compartilhar experiências. Não se perca no meio do caminho, não fique tentando copiá-los nem fazer parte a todo custo, espere o momento certo, o convite. Faça a sua parte, mostre o seu trabalho e você vai ver que as coisas não são nada parecidas com o que você imagina.


Pense na cultura e na história de seus familiares

Você, provavelmente, foi criado(a) pelos seus pais. E seus pais, provavelmente, foram criados pelos seus avós. E seus avós, pelos seus bisavós... Enfim, você pode não perceber ou até mesmo não aceitar, mas muito do que você é hoje é resultado da influência que você sofreu das pessoas que te criaram.

O movimento Montessori, ganhou força no Brasil, justamente para diminuir um pouco essa influência dos pais na primeira infância. O movimento defende uma tese que diz que é preciso deixar a criança se desenvolver por conta própria e observar qual caminho ela quer tomar, só depois da escolha da criança os pais devem estimulá-la e motivá-la a seguir pelo caminho que a criança escolheu.


Ao invés dos pais determinarem os passos e as escolhas dos filhos, como por exemplo, a profissão, deve deixá-la escolher o caminho que ela escolheu para ser quem ela é.


Eu acho um ótimo exercício de respeito a autenticidade alheia, tanto para os pais quanto para os filhos.


Hoje nós temos acesso a esse tipo de informação, e alguns pais já tentam trabalhar a autenticidade dos seus filhos desde cedo, mas, quando eu era criança, a informação não era tão vasta, tão acessível assim, não tínhamos o Google, por exemplo. Fomos criados de acordo com a educação que recebemos de nossos pais e isso tem a ver com a formação da nossa autenticidade.


Nascemos únicos, não somos iguais aos nossos pais (apesar de agir como eles algumas vezes), entretanto quando nossos pais começam a nos moldar, eles acabam limitando a nossa autenticidade e imprimindo a autenticidade, que eles receberam dos pais deles, em nós.


Independentemente de como tenha sido a sua criação, educação, sua cultura, ou sua religião, com certeza houve algum tipo de interferência familiar na sua história, que pode ter abafado a sua autenticidade de algum jeito.


Para se descobrir, você vai precisar de tempo e começar a praticar alguns exercícios mentais de questionamento. Você vai precisar se perguntar e se responder internamente para entender como a sua cultura e a sua história afetaram na sua autenticidade. Com relação a sua criação, por exemplo, você vai pensar nas lembranças, nas memórias, nas coisas que viveu quando era criança. Com relação à cultura da sua região, você vai pensar em como sua região te moldou, como todo o povo - a sociedade – mudou a sua originalidade. Quais foram as privações que você sofreu, quais foram os trejeitos na fala que você adquiriu por causa da sua região, entre outras perguntas para refletir sobre esse tema.


Você também pode pensar sobre quais das suas preferências você compartilha com a sua família, por exemplo? Qual preferência você tem a liberdade de contar para seus familiares... Provavelmente as preferências que você não pode ou não consegue contar aos seus familiares, são parte de quem você é que talvez esteja sendo aprisionada por conta de um modelo de pensamento familiar. Esse é um exercício inverso, para descobrir quantas das suas preferências, hábitos e jeitos de resolver situações diferentes você adquiriu através da convivência com a sua família.


Faça isso, responda a essas perguntas para saber de onde vem a sua autenticidade, o que foi retirado de você e descobrir quem você realmente é, para que você seja curado e tenha coragem de se expressar.